February 04, 2007

Whatever happened to the 80's?


Confesso que foi um pouco o hype criado por estes senhores que me levou a ficar curioso e a ganhar vontade de descobrir este álbum. Afinal não é todos os dias que uma banda decide responder a uma canção-pergunta com mais de 20 anos...

Após várias audições deste Rattlesnakes ainda tenho dificuldades em encontrar adjectivos que consigam descrever fidedigna e adequadamente o álbum. Não acredito na perfeição, ainda para mais em algo tão díspar e abrangente como a pop, mas é a palavra que mais me vem à cabeça à medida que o disco vai girando, mais ainda se nos lembrarmos que se trata de um álbum de estreia – gosto particularmente de álbuns de estreia, onde normalmente não existem restrições à criatividade nem expectativas a cumprir em relação à sonoridade. É esse desprendimento que confere muitas vezes ao início de muitas bandas / projectos de qualidade uma aura especial que depois tarda em repetir-se.

A excelência pop (“Perfect Skin”, “Rattlesnakes”) encontra-se aqui num estado quase puro, sendo intercalada aqui e ali com alguma folk (“Four Flights Up”, “Down On Mission Street”) e até com ligeiras influências de jazz do bom (“Speedboat”), tudo isto magistralmente misturado e interpretado por uns The Commotions que apresentavam no seu frontman Lloyd Cole uma voz hipnotizante, cativante, um poeta-espírito-livre mordaz, com sentido de crítica / humor verdadeiramente “witty” e altamente cult(ivad)o – referências a Arthur Lee (dos lendários Love), Truman Capote ou Grace Kelly nas suas letras – , capaz de usar tudo isto para criar aquela aura (que ainda hoje apresenta) de génio que, precisamente por o ser, está condenado a não compreender e a não se integrar no mundo onde vive, acabando por ser igualmente incompreendido por este.

Um álbum seminal da pop produzida em 80’s com apenas um apontamento a fazer, não a Lloyd Cole ou aos The Commotions, mas antes à editora: haveria melhor maneira de terminar o álbum do que com a extasiante “Are You Ready To Be Heartbroken?” ? Para quê adulterar o álbum original enquanto obra adicionando-lhe 4 faixas extra? Não está aqui em causa o valor do “lixo” de Lloyd Cole (faria a obra-prima de muitos...) que são estas 4 músicas, mas convenhamos que por alguma razão os autores optaram por deixar o álbum com 10 faixas na sua versão original. Ignorar isso é desvirtuá-lo.

5 comments:

Arcoirá said...

confissões... aproveito para confessar que foi o mesmo motivo que me fez buscar Lloyd.
Afinal, não é todo dia que alguém se diz preparado para uma coisa como essa!
Abraços!

psychocandy said...

U-CLIC
electro/rock/arty/punk
[riscar o que não interessa]

O pop barulhento, entre Kraftwerk e Sonic Youth



Apresentação do álbum “Console Pupils”
http://img329.imageshack.us/img329/4431/ucot1.jpg

Videoclip Robot’n’Roll
http://youtube.com/watch?v=4JNkhseYkIo

Para audição
http://www.u-clic.com/consolepupils/

mago said...

Faltou dizer alguma coisa sobre o post em si, objectivo primário da funcionalidade dos comentários, e referir que o "Console Pupils" sai para a semana...

O Puto said...

Normalmente as edições originais, para além de não adulterarem a integridade da obra, são mais baratas. :)

Anonymous said...

Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu