May 23, 2007

LOGH @ Santiago Alquimista, 11-Mai-07

Uma vez que as últimas duas sextas-feiras foram noites de concerto, resolvi que esta seria uma boa altura para inaugurar a secção de "crónicas" de concertos aqui no Arte del Pop. E porque sobre a vinda dos Bloc Party ao Coliseu já muito se falou por essa blogosfera fora, centro-me no concerto da sexta-feira que a precedeu: os portugueses Katabatic precediam o cantautor Christian Kjellvander, e ambos abriam para o principal nome da noite, os suecos Logh.

É sempre uma boa notícia quando a editora nórdica Bad Taste Records se lembra de incluir Portugal como paragem nas digressões dos grupos com que conta nas suas fileiras, e desta vez voltaram a sair-nos em sorte os Logh, que já contavam com uma presença em Lisboa (e no mesmo palco) em 2003, e dos Last Days of April na Zé Dos Bois aquando da promoção do seu If You Lose It.

Por motivos que se escaparam ao meu controlo no próprio dia – e que com certeza se devem à genética latina do povo português... – acabei por chegar atrasado ao Santiago Alquimista, já os Katabatic estavam em palco. Do pouco que consegui ouvir na altura (apenas uma música completa e o final de outra) deu para me aperceber de um rock atmosférico prometedor e não muito visto em bandas nacionais, ainda que, e na definição de um amigo que se encontrava a vê-los desde o início, “estes malucos toquem sem vocalista”. Mesmo que pouco tenha visto deles, foi o suficiente para me convencer a comprar o CD-EP+DVD que estava à venda na entrada no intervalo entre concertos. Também só custava 4 euros...

Seguiu-se o sueco Christian Kjellvander, ilustre desconhecido para os meus lados. Acompanhado apenas da sua guitarra e de uma jovem desconhecida cantora que o acompanhava nos refrões e dava o ritmo possível – pouco, como pediam as composições de Kjellvander – com uma pandeireta, acabou por demonstrar a sua qualidade e a da sua música, embora tenha acabado por soar um pouco como um peixe fora de água, intermediando o rock dos Katabatic e a pop nórdica dos Logh. Como curiosidade (tanto o título como a história deste) apresentou um tema chamado... “Portugal”.


Chegado ao prato forte, o concerto não desiludiu: os Logh apresentaram-se em palco dispostos a dar um bom concerto e conseguiram-no. Compreensivelmente mais centrado no último álbum North, mas com passagens pelos momentos mais conseguidos de álbuns anteriores (e aqui particular destaque para as fabulosas “The Contractor and the Assassin” “Ghosts”), o espectáculo foi equilibrado e com a fluidez adequada àquilo que o seu trabalho mais recente pedia. A bateria oscilando entre a distante suavidade e a entusiasmante presença marcava o ritmo pelo qual se regiam as programações, o órgão e as inevitáveis guitarra e baixo eléctricos.

Um concerto que serviu fielmente o propósito de promoção do álbum North, de tal modo que acabei por trazê-lo da loja improvisada na entrada do Santiago Alquimista, ainda para mais num belo exemplar em vinil branco. Álbum este que espelha bem a evolução que os Logh tiveram desde o seu início enquanto banda e da sua sonoridade mais pesada e escura, apresentando agora uma pop de cariz calmo e introspectivo, ainda que com uma certa escuridão latente na generalidade dos seus temas – ou não fossem estes seis rapazes provenientes do frio da Suécia.

1 comment:

said...

Parabéns pelo blog!
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