
Musicalmente falando, dificilmente haverá hoje em dia país mais entusiasmante do que a Suécia. Os valores seguros aí existentes englobam nomes como The Knife, Shout Out Louds, Logh, The Sounds, The Concretes, Last Days Of April, Love Is All, The Radio Dept. (se tudo correr bem, alvo de uma referência futura por aqui), aos quais se juntam estes Peter Bjorn and John, trio composto por... John, Bjorn e Peter.
Writer’s Block, assim é o nome deste bom terceiro longa-duração (depois de um primeiro álbum homónimo e de um segundo, Falling Out, que desconheço) que consegue fazer transparecer ao longo dos seus 45 minutos uma consistência que tem tanto de notável como de incomum. A pop aqui criada é construída de forma quase antagónica à simplicidade com a qual costuma atingir o seu expoente máximo: para além dos tradicionais bateria, baixo e guitarra, nota-se a presença de piano, harmónica, bongos, órgão e sintetizador, até samples (vade retro!) de "shh’s", "whoo’s" e sons variados do dia a dia, acabando toda esta mescla por funcionar de forma superior.
Ligações a bandas conterrâneas são inevitáveis – tal como “Up Against the Wall” faz lembrar as fases mais recentes dos Last Days Of April, também “Let’s Call It Off” não desfaria se incluído no álbum de Shout Out Louds. No entanto, existem ao longo do álbum traços muito próprios que fazem por estabelecer desde logo uma identidade própria aos Peter Bjorn and John, e que são particularmente notórios nos dois momentos de excelência aqui presentes: em “Young Folks”, excelente single de avanço com o seu ritmo jingante, proveniente em partes iguais do assobio de Bjorn e de toda a parte de percussão, para além do “diálogo” entre Peter e a frágil perseverança da voz de Victoria Bergsman (antiga vocalista dos The Concretes); e em “The Chills”, onde o “shh shh shh” serve de ponto de partida para uma bateria tudo menos óbvia (mas que não impele menos ao leve abanar do corpo por isso) e à sua perfeita conjugação com uma potente linha de baixo e uma cativante melodia sintetizada.
Mais uma banda que conseguiu a minha atenção e que vale a pena seguir, depois de um disco que tem tanto de seguro como de prometedor, coisa rara nos dias que correm – ao que parece, excepto na Suécia.